Médico, paciente e seus respectivos papéis

Desde o início da sua formação, o médico aprende a cuidar do paciente, tendo como foco a doença ou o problema de saúde que o acomete. Ele não é treinado para conhecer o próprio sentimento e por isso vive sob estresse constante.

Somente de algumas décadas para cá é que se tem trabalhado para que esse profissional passe a ter o foco direcionado ao paciente como um todo, para ter uma abordagem mais humanista e mais holística, levando em consideração quem é esse paciente, como ele vive e se isso tem relação direta na manifestação da enfermidade que apresenta. Também tem se trabalhado as emoções desses profissionais, como os sentimentos dos pacientes, que estão sob os seus cuidados, afetam seus próprios sentimentos e condutas, como é o ambiente de trabalho em que ficam confinados por longas horas.

Já do ponto de vista dos pacientes, muitos adeptos de terapias complementares milenares, entendiam que o reequilíbrio e o processo de cura passavam por suas mãos. Esta visão tem sido cada vez mais difundida: atualmente processos de self healing e autocuidado têm sido cada vez mais explicados e levados ao conhecimento e prática dos pacientes.

A batalha é árdua. Consultórios cheios, pessoas que já têm uma certa aversão a consultas e não querem dedicar muito do seu tempo para ‘passar pelo médico’, tampouco compartilhar informações mais íntimas, entre outros fatores, atrapalham e comprometem o tempo de que o médico dispõe para realizar uma anamnese (entrevista que o médico faz ao paciente para obter informações que levem ao diagnóstico) mais detalhada com seus pacientes. E no meio disso, médico e pacientes perdem na qualidade do atendimento, na exatidão dos diagnósticos, nas oportunidades de autoconhecimento e desenvolvimento de habilidades e, principalmente, nos processos de tratamento e cura.

Hoje podemos ver como a inclinação para a esperança e a força da fé também são fundamentais nos processos de cura, sem contar no entendimento do significado das doenças e dores tanto para um quanto para o outro. Mas, ainda há médicos e pacientes mais lógicos e rígidos que se fecham em questões cartesianas, dentro apenas dos limites da medicina tradicional.

Para isso, médicos e pacientes devem enfrentar as resistências e dificuldades em se educar para uma nova atitude diante das enfermidades. A atitude que tomamos é o fator mais importante da cura. Paz interior e com o ambiente refletem em menos doenças.

Se o profissional conseguir ensinar uma pessoa a ficar de bem com a vida, sentir amor por si mesma e pelos outros e alcançar a paz de espírito, abrirá margem para a possibilidade de mudanças. Por detrás das queixas há um ser humano que clama por ajuda, compreensão e entendimento, de como lidar com a doença, a apreensão e os medos. Para isso, é fundamental a percepção também do paciente da sua totalidade, que se torna requisito para todos os profissionais da saúde que enveredam no caminho da ajuda, da melhora, da restauração e cura dos males dos que nos procuram.